n i c k n o b l o g

Tudo culpa do Lula

Em viagem ao Peru, o segurança do ex-presidente FHC abastece o carro em São Paulo com o Cartão Corporativo presidencial, e a culpa é, ora veja só, do gerente. E até dispensam maiores explicações. Enfim, para tudo e qualquer coisa que aconteça, vale a máxima consagrada nesses cinco anos de denuncismo irresponsável: É culpa do Lula.

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Por Nick!! às 11:47
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Do mensalão à tapioca

Entre tantas coisas negativas da imprensa, é a irresponsabilidade a pior de todas. Pela prática do denuncismo, jogaram para a fila da vacinação quem não tinha motivos para tomá-la. E por má informação dos seus profissionais, convenceram milhares a correrem todos os riscos dos efeitos colaterais. Pessoas morreram, tanto quanto por causa da própria doença. Nem ao menos podem, honestamente, se vangloriar de investigar o governo, pois no caso da ex-ministra Matilde, ela foi apontada pela CGU, órgão do governo, antes mesmo da imprensa. Assim foi em muitos dos escândalos recentes, como no das Sanguessugas, Gautama, e outros esquemas que atuavam no Planalto há pelos menos uma década, e que foram descobertos somente no governo atual pela Controladoria, TCU, Polícia Federal, etc. Ironicamente, é o governo quem se investiga. E a imprensa vem atrás, fazendo oba-oba, distorcendo fatos, o quanto é possível. E agora essa da tapioca do ministro. Tanto alarde, por R$ 8,50! Faço votos que nenhuma urucubaca vá pegar. Nem São Pedro ajudou a oposição.

Por Nick!! às 10:48
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Luis Nassif Online na frente

Nada mais justo. O Luis Nassif Online é um porto seguro para quem é da galera que há tempos procura uma crítica honesta e imparcial (o quanto possível). O cara é um jornalista porreta, e um dos poucos que denunciam o viés político da grande imprensa. E se não bastasse, ainda responde nossos comentários em seu blog, troca e-mails com os leitores mais assíduos, além do fino humor, como na série de posts sobre vilões de chapéu, um sarcasmo obviamente dirigido para o blog da 'outra galera'.



Por Nick!! às 08:29
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O fantoche e o estrategista

No geral, a crítica ao Presidente Lula produzida nestes últimos 5 anos oscilou entre duas figuras totalmente excludentes, moldadas às circunstâncias econômicas e políticas da época em que foram criadas: a do fantoche inapto para o cargo, e a do estrategista, maquiavélico, frio e calculista. No entanto, o verdadeiro Lula está entre esses dois extremos.

O fantoche tomou corpo na crítica profissional no repique da economia de 2004, quando o PIB cresceu 5,7%. "Não pode ser ele" - comentou comigo um colega de trabalho, estimulado pelo discurso único de então de que o verdadeiro piloto do governo era o Dirceu ou Palocci. O boneco ganhava roupas populistas à medida que o governo concedia à massa paulatinos e significativos aumentos do salário mínimo e ampliação do Bolsa Família.

Uma importante inflexão ocorreu o estouro do escândalo do mensalão, quando o foco da oposição mudou para envolver o Presidente da República, que alegava não saber de nada. Nada mais coerente com um fantoche. Então, essa figura foi rapidamente abandonada pela crítica, para entrar em cena o político estrategista, maquiavélico, frio e calculista. Este aqui, ao contrário, sabe de tudo, mantém nas mãos o controle de todos os assuntos do governo (inclusive os dos escalões mais inferiores), e não hesitou ao sacrificar amigos de longa data quando eles passaram a ser um incômodo para seu governo (Palocci, Dirceu, Gushiken, etc.).

O maquiavélico foi poupado pela oposição, que se julgou capaz de retirá-lo do cargo nas urnas, mas as pesquisas eleitorais indicavam o contrário. Então, o Bolsa Família populista virou criação do político estrategista maquiavélico, frio e calculista. E vieram as eleições, e a oposição sofreu uma derrota nunca antes vista neste país. A partir do anúncio do PAC, o estrategista ganhou contornos de um proto-ditador obcecado pela idéia de um terceiro mandato, tão somente, diz a crítica, por causa da proximidade ideológica do seu partido com o vizinho Hugo Chavez.

Falou bobagem

A promessa pública do Presidente Lula de não aumentar impostos, feita após a derrota do governo na prorrogação da CPMF, contrariando as declarações do seu ministro da Economia, verificou ser um desastre político quando se divulgou o pacote fiscal, já em 2008, de aumento do IOF e CSLL. Depreendo que o Presidente falou com sinceridade, pois de fato ninguém quer aumento de impostos, e acabou se precipitando, mas depois foi convencido pela realidade pela sua equipe. Afinal, não é plausível que um estrategista, maquiavélico, frio e calculista, simplesmente mentiu, sabendo que lá na frente seria confrontado com a verdade, dando à oposição uma enorme bandeira política, no início de um ano eleitoral.

E se falou bobagem, então ele não é um estrategista, mas um fantoche inapto para o cargo (usando apenas as duas figuras extremas usadas pela crítica até então). O que também é pouco plausível, porque uma grande economia como a brasileira não anda sozinha (no piloto automático, dizem os tucanos), levada tão somente pela bonança econômica mundial. A economia cresce com mercado interno fortalecido, e com distribuição de renda atingindo as massas, que em épocas de prosperidade ocorridas no passado nunca foram convidadas a participar. Não pode ser coincidência, mas por vontade política, que isso só ocorre quando temos na Presidência um torneiro mecânico saído das massas.

Fritura do Mantega

Quanto à fritura do ministro Guido Mantega, é o seguinte. Depois que foi desautorizado em público pelo Presidente, começaram a aparecer notícias, com base em fontes palacianas (sigilosas, é o que a imprensa sempre alega), de que o Mantega teve o prestígio diminuído, que era um desastrado politicamente, que o Palocci era melhor negociador, e coisa e tal. E agora, como ficam a imprensa e suas fontes palacianas, quando constatamos que o ministro estava correto?



Por Nick!! às 23:54
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Falando em direita e árvores...



Por Nick!! às 11:02
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DEM acusado de chupar árvore

O ex-PFL, também conhecido por DEMO, saiu da fase DEM e assumiu de vez a denominação Democratas. Para reforçar a mudança, o partido ganhou logotipo novo e uma nova bandeira, a do ambientalismo sustentado, e ainda sinalizou com a troca dos velhos caciques da sigla por "novas" lideranças políticas.

O logotipo e a preocupação ambiental foram chupados do Partido Conservador Inglês. O ambientalismo é uma mega tendência. Partidos políticos do mundo todo, de direita à esquerda, incluíram temas ambientais em suas discussões. Os partidos de esquerda, melancias, são verdes por fora e vermelhos por dentro. O Conservative Party, que promoveu as reformas neoliberais dos anos 80, tocadas por Margareth Tatcher, entrou na onda verde nos aos 90, na mesma época em que mudou seu logotipo para uma árvore. O DEM, digo, Democratas está uma década atrasado.

Mas as novas lideranças do Democratas sugerem que as mudanças são externas, marqueteiras, e que continua a ser uma legenda de oligarquias políticas, mantidas dentro de círculos familiares. O novo presidente, o deputado Rodrigo Maia, é filho de César Maia. O deputado Paulo Bornhausen, destaque na campanha Xô CPMF, é filho do ex-presidente Jorge Bornhausen. O deputado ACM Neto dispensa explicações.

Não é só por contra-senso histórico a implicância com o nome Democratas para os filhos do PFL, pelo fato de serem netos do PDS, e por sua vez, da Arena, o partido de sustentação do regime militar. A resistência é forte até na nossa imprensa nacional, também oligarca e de valores neoliberais, onde a sigla DEM ainda é de uso corrente.

Mas o Partido Federalista acusa o Democratas de fazer cópia não autorizada de sua marca, também uma árvore estilizada, e solicita ao ex-PFL a cessação imediata do uso novo logotipo (leia aqui).



Por Nick!! às 22:46
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Cascata

Na descida, nenhum santo ajuda, quando se fala de preços. Na tela da TV, a reportagem exibiu valores de salários e os respectivos de CPMF que seriam pagos em média durante um ano, e demonstrou didaticamente que quanto maior o poder de compra do contribuinte maior o valor do tributo pago. O que parece ser pouco, reconheceu a locução, se considerar apenas a tributação direta. Mas o empresário repassa o custo da CPMF para o produto, continuou a locução, no que o atacadista também embute a sua CPMF, e o varejista ídem, e o consumidor é quem paga a CPMF de todo mundo. O tal do efeito em cascata.

A seguir, um analista econômico, Sarnemberg, pondera, de forma propositadamente simples, que o consumidor final não sentirá o fim da CPMF imediatamente, e ainda que isso dependerá da concorrência no setor. Onde há mais fabricantes competindo, maior a possibilidade de repassarem isenção da CPMF para os produtos. E se não houver concorrência, a CPMF vai para a margem de lucro do empresário.

Nunca antes neste país se assistiu reportagem mais cristalina, antes de quinta-feira, quando finalmente o governo foi derrotado na prorrogação da CPMF. Então, se enganou quem se encantou com imagem dos preços caindo, em cascata, tão logo a CPMF deixasse de ser cobrada na virada do ano. Há quem argumente que esse leitor não acompanha o noticiário, ou entendeu o que quis quando leu nos jornais que se paga mais CPMF do que é gasto com arroz e feijão, ou ainda, que quem ganha Bolsa Família também paga CPMF.

É evidente o fim político. Serão 40 bilhões a menos em um ano eleitoral, e 120 bilhões a menos até 2010, o que obriga o governo a um remanejamento de recursos de outros projetos em andamento, se quiser manter a Saúde e os programas sociais. Pode-se culpar o governo pela derrota, por arrogância e desarticulação nas negociações, mas tudo o que os tucanos pediram foi a eles oferecido, e assim mesmo votaram pelo fim do imposto. Quanto ao DEM, não havia conversa.

Enigmático o movimento do ex-presidente FHC, que se empenhou pelo fim da CPMF, e a explicação não pode estar no campo político. Ele conseguiu dividir o próprio partido, pôs em apuros os governos dos colegas tucanos Serra, Aécio e Yeda Cruzis, e principalmente, tirou 40 bilhões da Saúde e dos programas sociais. Eu penso que ele foi tomado por um impulso pessoal de vaidade.



Por Nick!! às 05:06
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Campanha da abobrinha no prato

Merecem todas as nossas forças positivas as campanhas de conscientização do público para a substituição das sacolas de plástico, fornecidas em supermercados e feiras livres, por sacolas trazidas de casa pelo freguês. Mesmo que tais iniciativas tenham a dimensão de uma gota de cloro no rio Pinheiros. Você já percebeu a quantidade de embalagens que levamos para casa depois de uma visita ao supermercado? Se retirarmos da conta frutas, hortaliças e carnes não industrializadas, o volume de plásticos, metais, vidros e papel que levamos para casa, e daí para a cesta de lixo, é quase tão grande quanto a própria compra.

Percebe-se que essas campanhas são muito acanhadas, e tão eficazes quanto gerenciar problemas empurrando com a barriga. Além do quê, quem aposta que o freguês vai deixar de usar as poluidoras, e muito práticas, sacolinhas? E gratuitas, ao menos para quem não desconfia de que já pagou por elas, pois o seu custo foi pulverizado no preço dos produtos. O que pode ser, para outro freguês, um motivo para levar um naco a mais de sacolinhas, já que está pagando mesmo.

E se não existe ânimo para o acomodado consumidor trazer sacolas de casa, possivelmente, quem dirá rever seus hábitos baseados em alimentos industrializados, nem mesmo com o recente caso do leite com soda cáustica e água oxigenada. Exagero? Consta nos jornais de anos atrás que padarias adicionavam bromato de potássio ao pãozinho para fazer mais volume. Bebidas alcoólicas eram fabricadas com metanol. O que mais a ganância humana foi capaz de colocar no iogurte, farinhas em geral, açúcar, extrato de tomate, leite de soja, óleos, margarina, achocolatado, café em pó, e outros alimentos industrializados? Nem adianta culpar o poder público, já que muitas dessas porcarias são aprovadas pelas próprias agências reguladoras.

Portanto, se é mesmo para valer eliminar as tais sacolinhas de plástico, então que imponham uma regulamentação bem antipática, do tipo, proibir os supermecados e feirantes de fornecê-las. Aí vai chover canivetes em cima do administrador público responsável, que, dependendo da habilidade da oposição, receberá epítetos desagradáveis (por exemplo, Martaxa), mas em uma semana será o fim da maldita sacolinha de plástico.

E se a intenção é a prática do ambientalismo, o próximo passo lógico seria obrigar as empresas a adequarem seus produtos para embalagens ecologicamente corretas, já que o consumidor não liga se o leite de caixinha contém hidróxido de sódio e peróxido de hidrogênio. Mas aí entram questões que beiram a geopolítica, como custo de produção, competitividade em um mundo globalizado, e a, digamos, "regional-política", como contribuições para campanha eleitoral, etc. Outra alternativa impensável para o consumidor seria voltar à época da vovó, e substituir alimentos industrializados por produtos da feira-livre. Agrotóxicos? Que tal produtos orgânicos?



Por Nick!! às 22:04
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Esqueceram de mim

Por que o banco Marka quebrou, na maxidesvalorização do real, se seu ex-dono Salvatore Cacciola recebia informações privilegiadas do Banco Central?

Por Nick!! às 09:51
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A falácia do terceiro mandato

Dois fatos ocorridos no último final de semana esfriaram de vez o factóide oposicionista de terceiro mandato do Lula. O primeiro foi o Datafolha constatar que o eleitorado rejeita mudanças constitucionais para permitir mais um mandato ao Presidente. O segundo foi a derrota do Hugo Chavez no plebiscito sobre reformas constitucionais venezuelanas.

Muito embora, há quem afirme que a carapuça gelada serviu foi na cabeça dos defensores da continuidade do governo do Presidente Lula. Não que não existam. Eu mesmo conheço pessoalmente uma blogueira animada com a idéia. Só que o assunto não rolava nas rodas petistas, até a celeuma criada pela imprensa, mês passado, em torno da proposta do deputado Devanir Ribeiro - que, aliás, não diz nada sobre um terceiro mandato, ao contrário do que temos lido nos jornais.

A percepção de que o eleitorado é contrário a mudanças constitucionais que permitam uma nova reeleição consecutiva, mesmo o favorecido sendo o muito bem avaliado Lula, somada à já declarada indisposição do PMDB e PTB à idéia - além, é claro, dos partidos da oposição - demonstra ser inviável a empreitada do terceiro mandato. Além do quê o próprio Lula já afirmou reiteradas vezes que não pretende se candidatar novamente.

Portanto, esse negócio de terceiro mandato nasceu nas hostes oposicionistas. Faço o leitor recordar, mais uma vez, de que o tema em foco começou em janeiro deste ano, no Estadão, com uma análise do PAC do professor Leôncio Rodrigues Martins.

Isso ficou mais evidente com a derrota de Hugo Chavez no plebiscito venezuelano, cujo resultado foi entendido, alguns artigos comentaram, como um desestímulo aos petistas defensores do continuísmo para o Presidente Lula. Mas o que tem a derrota chavista com o terceiro mandato do Lula? Esse paralelo é absurdo, pois, exceto pelas afinidades históricas do PT com as esquerdas latino-americanas, Chavez não tem nada a ver com Lula. O venezuelano vai além do discurso populista e toma ações concretas na construção de um país socialista, enquanto que o governo petista é, ao contrário, excessivamente moderado. Em seu primeiro mandato, Lula deu continuidade a vários mecanismos liberais do governo tucano anterior, negando bandeiras de esquerda que o PT defendeu no passado.

Ainda sobre o plebiscito na Venezuela, a derrota do Hugo Chavez inutilizou o rótulo de autoritário que a imprensa brasileira tem o hábito de lhe apontar, e outros, como proto-ditador, e de que aquele país não é democrático. Ao invés do estado de exceção e dos tanques e soldados nas ruas de Caracas, o que seria natural em uma ditadura de verdade, a reação chavista foi o reconhecimento do resultado, um gesto democrático, ainda que fiel ao seu estilo debochado. Muito embora, é possivel conjecturar que tenha sido um gesto calculado, já que Hugo Chavez tentou um golpe de estado no passado.

Lula radicalizou, finalmente

Na semana passada, Lula descartou, de novo, ser candidato ao terceiro mandato, e disse que estará desempregado em três anos e afirmou que não disputará mais cargos públicos. Em discurso a empresários e trabalhadores da indústria naval sobre a contratação de quatro navios pela Transpetro ao estaleiro Mauá Jurong, na noite de ontem, em Niterói, Lula disse: "Em quatro anos, vocês vão estar trabalhando e eu vou estar desempregado. E virei aqui pedir uma vaga, como metalúrgico".



Por Nick!! às 00:14
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